Exemplo de contagem – Consulta implícita

EXE005 – Consulta implícita

Objetivo do estudo: Este exemplo serve para ilustrar como um processo elementar que não está escrito no requisito de usuário é identificado e contado.

Requisitos: Possibilitar a alteração dos dados cadastrais do cliente. Os dados do cliente a ser alterado devem aparecer para visualização para serem alteradas.

Regras: Para a alteração do cliente deve ser informado o código do mesmo. Os seguintes dados do cliente devem ser apresentados na tela: Nome do cliente, Endereço, Nome da cidade, Número de telefone, Sigla do estado, Data da inclusão e a Data da última alteração. Os seguintes dados não podem ser alterados: Data da inclusão e a Data da última alteração.

Exemplo de tela (janela)

Observação: desconsiderar para este exemplo outras ações que não a alteração.

Detalhamento da função “Alterar dados do cliente”

Passo1: A função “alterar dados do cliente” atende ao requisitos de um processo elementar?

Sim. É significativo para o usuário, é auto-contido e deixa a aplicação em estado consistente.

Passo2: O processo elementar é único?

Sim. Nenhum outro processo elementar executa esta função.

Passo3: Classificar o processo elementar como EE.

  1. A intenção primária é manter dados do cliente e não possui dados de controle.
  2. Inclui lógica de processamento para aceitar dados que entram pela fronteira da aplicação.

Conclusão: a função é uma função EE.

Passo4: Identificar Arquivo Lógico Referenciado (ALR).

  1. Um ALR deve identificado para cada função de dados única, lida ou mantida pela função.

“Cliente” é ALI porque é mantido pela função da aplicação.

Passo5: Identificar Tipo de Dados Elementar (DET).

  1. Atributos únicos reconhecidos: Código do cliente, Nome do cliente, Endereço, Nome da cidade, Número de telefone, Sigla do estado.
  2. Contar um DET pela habilidade de enviar mensagem.
  3. Contar um DET pela habilidade de iniciar a ação da função.

Passo6: Determinar a complexidade funcional.

1 ALR e 8 DETs è Complexidade Baixa.

Passo7: Determinar o tamanho funcional.

CE de Complexidade Baixa è .3 PF

Conclusão

A função que altera dados do cliente é contada como uma EE porque o seu objetivo é manter dados do cliente.

Detalhamento da função “Consultar dados do cliente”

Passo1: A função “consultar dados do cliente” atende ao requisitos de um processo elementar?

Sim. A decomposição leva a um processo que é: a menor atividade significativa, é significativo para o usuário, é auto-contido e deixa a aplicação em estado consistente.

Passo2: O processo elementar é único?

Sim. Nenhum outro processo elementar executa esta função. Se uma consulta direta existisse esta função seria considerada como duplicidade e não seria contada novamente, desde que todos os critérios de unicidade fossem atendidos. Lembre-se do tripé da unicidade: os mesmos dados, as mesmas lógicas de processamento e os mesmos arquivos lógicos referenciados.

Passo3: Classificar o processo elementar como CE.

  1. A intenção primária é apresentar informações ao usuário.
  2. Referencia a função de dados para recuperar os dados.
  3. Não possui nenhum critério para ser classificada como uma SE. Não executa cálculos, não cria dados derivados e não atualiza nenhum ALI.

Passo4: Identificar Arquivo Lógico Referenciado (ALR).

“Cliente” é ALI porque é mantido por uma função da aplicação sendo contada.

Passo5: Identificar Tipo de Dados Elementar (DET).

  1. Atributos únicos reconhecidos: Código do cliente, Nome do cliente, Endereço, Nome da cidade, Número de telefone, Sigla do estado, Data da inclusão e a Data da última alteração.
  2. Contar um DET pela habilidade de enviar mensagem.
  3. Contar um DET pela habilidade de iniciar a ação da função.

Passo6: Determinar a complexidade funcional.

1 ALR e 10 DETs è Complexidade Baixa.

Passo7: Determinar o tamanho funcional.

CE de Complexidade Baixa è .3 PF

Conclusão

A função “consultar dados do cliente” é considerada como um processo elementar porque ela precisa ser executada de forma independente do processo elementar “alterar dados do cliente”. Apresentar dados do cliente não é a execução de uma lógica de processamento necessária para completar a função que altera os dados, se fosse não poderia ser considerada como um processo elementar. Observar que os atributos identificados e contados na consulta é maior que na alteração. Os dados, data da inclusão e a data da última alteração, são consultados mas não são alterados.

A consulta implícita é abordada pelo CPM num exemplo e não existe nenhuma definição para a questão. Este exemplo serve para refletir a necessidade de se aplicar os quatros passos dos procedimentos de contagem de função de transação e em especial o primeiro que diz: identificar cada processo elementar, e nesta questão existem duas atividades que devem ser seguidas:

A primeira é: decomponha ou componha os requisitos de usuário para encontrar a menor atividade que satisfaça a segunda atividade.

A segunda é: o processo deve atender aos quatro itens: deve ser significativo, deve ser completo, deve ser auto-contido e deve deixar a aplicação em estado consistente.

Este exemplo demonstra que embora o requisito de usuário solicite a alteração dos dados, identificado como uma função, ao aplicar as regras de identificação de processo elementar é identificado uma outra função contável “consultar dados” como consequência da intenção primária do requisito. É necessário aplicar o entendimento demonstrado neste exemplo para identificar possíveis processos elementares “escondidos” nas intenções primárias dos requisitos. Pense nisso.

Carlos Campos 29/12/2010